Ogre Battle e Tactics Ogre: O contexto que originou a série.

Em recente atividade no Alvanista, me deparei com a postagem de um colega que atentou para um fato curioso que por coincidência eu já havia reparado: A série Ogre (Ogre Battle e Tactics Ogre) possui elementos em títulos e nomes próprios que figuram em canções da banda inglesa Queen. A dúvida seria: Quem influenciou quem? Seriam os integrantes fãs do jogo de Yasumi Matsuno, ou seria o lendário designer japonês um fã de uma das maiores e mais influentes bandas de rock de todos os tempos?

A resposta é fácil de encontrar, e previamente, durante a elaboração de uma série de postagens no facebook sobre a banda Queen, eu havia descoberto que Yasumi Matsuno era um grande fã da banda e baseado em um universo fantástico criado pela banda em seu 2º álbum ele resolveu prestar suas homenagens à banda. Mas além da descoberta de quem homenageou quem, a resposta me trouxe mais um bocado de curiosidades sobre o título.

O universo criado por Freddie Mercury chama-se Rhye, e foi explorado em diversas canções da banda. Dentre elas: My Fairy King, Seven Seas of Rhye, a mais famosa, e Lily of the Valley. Este mundo criado por Mercury permaneceu um mistério, e não se sabe muito sobre ele, exceto alguns nomes próprios e que as pessoas cultuavam falsos deuses e viviam suas vidas em pecado…um tanto…genérico.

Se especulou acerca de detalhes sobre esse mundo imaginário, mas Mercury não parece ter deixado de legado nada além de suas músicas que fazem referência a este universo. Em 2011, nos fóruns da Steve Jackson Games, um grupo se propôs a criar um setting baseado no pouco que se sabe sobre Rhye, juntando outros elementos de músicas da banda. Neste link você pode ver o que os carinhas estavam produzindo.

Em 1993, Matsuno lançou seu olhar sobre a Guerra Civil Iugoslava, que aconteceram na década de 90, tendo início em 1991. Parte dos eventos que aconteceram nesta guerra incluem a Guerra da Bósnia, em especial a limpeza étnica praticada pelos sérvios. Dentre diversas ações, expulsão dos não sérvios, massacre de civis, prisão da população de outras etnias e reutilização dos campos de concentração da II Guerra Mundial foram alguns dos crimes bélicos praticados no episódio. A “limpeza étnica” implicou também a intimidação, expulsão forçada e / ou morte de grupos étnicos indesejáveis aos sérvios, assim como a destruição dos restos físicos do grupo étnico, como locais de culto, cemitérios e edifícios culturais e históricos. O intuito era “purificar’ o Estado, algo que a História  nos mostrou em outra ocasião, envolvendo um certo bigode e algumas suásticas.

Matsuno aproveitou o clima político de guerra deste evento para escrever Ogre Battle, se inspirando na história real, e escolheu como subtítulo a música da banda Queen “March of the Black Queen” (A Marcha da Rainha Negra). No mundo do jogo, outras pequenas referências a músicas da banda foram incluídas, como o nome dado ao mar, Rhyan Sea, inspirado na canção “Seven Seas of Rhye”. Abaixo, as músicas citadas:

Prosseguindo na série, Matsuno trabalhou novamente na sequência, Tactics Ogre: Let Us Cling Together, lançado em 1995 para o SNES. Novamente o autor se aproveitou da mesma atmosfera política negra para desenvolver aTacticsOgrePSP trama do título, e recorreu mais uma vez ao Queen para nomear seu jogo. Let Us Cling Together, subtítulo dado ao primeiro Tactics Ogre, foi baseado no título alternativo da canção “Teo Torriatte” da banda inglesa. O título sugere um nome próprio, já que Teo é um nome masculino e a pronúncia aberta (/Téo/) é característico ao mesmo.

Porém, a grafia escolhida pela banda é bem capciosa. A forma correta de escrever a frase seria “Te wo Toriatte” (手を取り合って) que significa, em japonês, “As mãos juntas” ou “As mãos se segurando” (The holding hands). O título alternativo, Let us cling together seria então uma tradução mais correta da expressão, que teria sido grafada de maneira confusa pela banda, já que a leitura fica, de fato, Te o toriatte (/te o tôriá-te/). Como no japonês se costuma escrever tudo junto…

E depois? Por que não teve mais referências? Porque infelizmente o Matsuno não trabalhou neles, e outras equipes não tiveram o mesmo cuidado/desejo de manter as referências usadas por Matsuno. Lógico que, como quase todos os jogos, os outros jogos da série possuem suas próprias e referências, que fogem aos meus conhecimentos e a extensão da minha pesquisa.

O intuito desse post é trazer um pouco de informações acerca dos bastidores e referências de um jogo que considero um clássico absoluto. Espero que o leitor tenha a curiosidade de jogar esses dois excelentes jogos e curtir um dos grandes “rivais” de Final Fantasy Tactics, que não possui a mesma popularidade nas rodas de conversa de gamers. Fique com a última música mencionada no post:

 

Para o QuestGamer
  • Geraldo Nogueira

    Excelente trivia. Também curto muito Queen e nunca saquei a associacao.

  • K9Lopus

    Cara, adorei o post. Sou fã do Tatics Ogre (pois foi o primeiro RPG tático que joguei), assim como sou fã do Queen. Isto só demonstra o quanto o Fredie Mercury foi um gênio e parabéns ao Matsuno que empreendeu todo este universo.

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